ANEMIAS NUTRICIONAIS E INTESTINO PERMEÁVEL

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As anemias nutricionais podem ser de três tipos: a) hipocrômica ferropriva (ou ferropênica), ocasionada pela deficiência de ferro; b) megaloblástica, causada pela deficiência de ácido fólico e c) perniciosa, causada pela deficiência de vitamina B¹².

Desses três tipos de anemias, a ferropriva, ou seja, por deficiência de ferro, é a mais comum. Afetaria em torno de 1 bilhão de pessoas no mundo todo. Está presente em todos os países e afeta pessoas de todas as idades e classes sociais.

De particular interesse é a prevalência da anemia ferropriva em crianças  e em gestantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam no mundo em torno de 300 milhões de crianças em idade pré-escolar e escolar sofrendo de anemias e que pelo menos metade destes casos é atribuída à carência de ferro.

Nos períodos de rápido crescimento (nos primeiros cinco anos de vida) as crianças são muito vulneráveis à anemia ferropriva, devido a maiores necessidades de ferro.

Esta anemia em crianças está associada a um aumento de morbidade e de mortalidade na infância, ao baixo peso ao nascer, à deficiência no desenvolvimento cognitivo e no rendimento escolar.

Nas gestantes, a situação não é menos grave. Estima-se que 30% das mulheres do mundo em idade de procriar sofrem de anemia, a princípio por carência de ferro. Considera-se que na gravidez a necessidade de ferro é seis vezes maior que a necessidade normal. Além disso, as mulheres perdem ferro pelas menstruações.

Nas grávidas, a anemia ferropriva está relacionada à diminuição da resistência às infecções, a maior ocorrência de hemorragias ante e pós-parto – muitas vezes fatais – e a partos prematuros.

Por tudo isso, a OMS recomenda que o cordão umbilical seja cortado no mínimo 1 minuto após o nascimento (entre 1 e 3 minutos); esta simples medida melhora o fornecimento de ferro ao recém-nascido, beneficiando-o até os 6 meses de vida.

 

As anemias nutricionais, como o nome indica, estão correlacionadas à alimentação: deficiências de ferro, de ácido fólico e de vitamina B¹². Podem também ser causadas por perda de sangue durante cirurgias, por ferimentos, por hemorragias várias, por parasitoses, entre outras causas.

No entanto, em grande parte do mundo ela acompanha o quadro de desnutrição geral da população. Sabe-se que, de um modo geral, as anemias nutricionais podem ser tratadas com a alimentação; quando o quadro é mais grave usam-se complementos ferrosos e/ou vitamínicos e mesmo transfusões de sangue.

Abrindo um parêntese, citamos alguns alimentos ricos em ferro: fígado, carne de aves, peixes, ovos. Também verduras de folhas escuras como espinafre, brócolis, couve; leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilhas) e frutas, como maçã, uvas, nozes, amêndoas, castanhas. O ferro seria melhor absorvido se ingerido com alimentos ricos em vitamina C como laranja, goiaba, morango, limão ou as verduras de folhas escuras.

Entretanto, em populações ou camadas da população onde a desnutrição geral é a regra, melhorar apenas um aspecto do problema é louvável, porém o problema de base – a desnutrição crônica – permanece e o campo está aberto para o aparecimento de um sem-número de doenças de todos os tipos.

 

Sabe-se que as doenças inflamatórias crônicas intestinais podem ocasionar anemia em até 75% dos pacientes.

Muitos conceitos tradicionais da medicina estão caindo por terra e novos conceitos tomando os seus lugares. Tem-se chamado a atenção, atualmente, para a importância dessas doenças inflamatórias crônicas intestinais na gênese de um número muito grande de doenças. Essa inflamação crônica leva a uma situação também chamada intestino permeável; ela é causada por diversos alimentos da nossa dieta. Esses alimentos inflamam todo o intestino e desarticulam totalmente o sistema imunológico (80% do sistema imunológico está localizado nos intestinos). O intestino deixa de ser uma barreira contra as toxinas, de um modo geral, e estas acabam passando à corrente sanguínea, atacando vários órgãos e interferindo com a absorção de outros nutrientes, como é o caso do ferro. Cada vez mais se acumulam provas que esse mecanismo está por trás de praticamente todas as doenças crônicas não infecciosas e também das infecciosas, por desarticular o sistema imunológico, alterar o metabolismo  normal permitindo que vírus, bactérias nocivas e outros agentes cresçam no organismo, ocasionando doenças.

Quais os alimentos que ocasionariam esse intestino permeável? São vários, mas os principais estão relacionados a alimentos industrializados como as farinhas que contêm glúten (trigo, centeio, cevada), o açúcar e também os produtos de laticínios. Por extensão, todos os alimentos que contêm esses ingredientes: pães, bolos, doces, pizzas, bolachas, etc. Os alimentos industrializados contêm uma série de conservantes, corantes, emulsificantes e outros que nem sempre são indicados na composição e que têm efeito nocivo sobre o organismo. O intestino é a primeira proteção que o corpo tem sobre aquilo que ingerimos e que não nos convém. Por isso, esses venenos têm a sua atuação inicial sobre esse órgão; o intestino vai se inflamando, perde a sua estrutura natural e as doenças começam a aparecer.  Mas não é só isso: devemos nos lembrar que vivemos em um ambiente totalmente poluído, tanto na terra, no ar, como na água. Esses ambientes são poluídos por inseticidas, por metais pesados e toda sorte de venenos.

É difícil nos protegermos de alguns poluentes; outros estão ao nosso alcance. A alimentação, por exemplo, está ao nosso alcance e, sem dúvidas, é o principal fator que ocasiona esse quadro. Já temos por onde começar.

NOTAS

  1. Para a elaboração deste artigo consultamos diversas publicações da OMS e também do Ministério da Saúde;
  2. Para um melhor detalhamento da anemia em gestantes ver, por exemplo: Montenegro, CAB, Santos, FC, Rezende-Filho, J. Anemia e gravidez. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto, 2015: 29-33. Disponível na internet;
  3. Para um esclarecimento minucioso sobre as doenças inflamatórias crônicas do intestino, ver: Myers, Amy. Doenças autoimunes. SP: Martins Fontes, 2016;
  4. Um artigo jornalístico bem estruturado sobre as inflamações crônicas do intestino está disponível em https://paolamachado.blogosfera.uol.com.br/2019/05/07/leaky-gut-o-que-e-o-intestino-permeavel-ou-gotejante/

13.06.2019

Escrito por: NILTON TORNERO